Sérgio Buarque de Holanda, no seu livro “Raízes do Brasil”, ao falar sobre a nossa colonização, apresenta uma tipologia interessante para compreender as nossas raízes. Ele apresenta o tipo aventureiro e o tipo trabalhador. O tipo aventureiro ignora as fronteiras, e que faz dos obstáculos à sua frente um trampolim para realizar seus propósitos. Já o trabalhador vê “primeiro a dificuldade a vencer, não o triunfo a alcançar”. É o tipo que investe no esforço lento, persistente, que pode ser aparentemente pouco compensador. Cada tipo demanda uma ética, um comportamento social.
Na ética da aventura as qualidades enfatizadas são a audácia, a imprevidência, a irresponsabilidade, a instabilidade, e a vagabundagem. Já na ética do trabalho, as qualidades enaltecidas são a estabilidade, a paz, a segurança pessoal e esforços sem perspectiva de rápido proveito material.
Segundo o autor, em nossa colonização a ética predominante foi a da aventura. E esta encabeçada por Portugal. “E essa ânsia de prosperidade sem custo, de títulos honoríficos, de posições e riquezas fáceis, tão notoriamente característica da gente de nossa terra, não é bem uma das manifestações mais cruas do espírito de aventura” (2002, p.957).
Essa marca da nossa “personalidade” não está presente ainda hoje em nosso cristianismo? Na maneira como lemos a Bíblia? Percebo cada vez mais entre os jovens de nossa época uma preguiça no pensar. Contudo, a postura bíblica do crente é a de um pensador. Aquele que pondera nas questões da sua época e medita nas Escrituras em busca de soluções adequadas conforme a Glória de Deus.
Crentes que buscam sucesso na vida de maneira fácil, sem nenhum custo são as mesmas que querem um cristianismo sem nenhum custo, nem que seja intelectual. Com isso em mente, não é de estranhar que crentes, do ensino fundamental, médio e superior, pesquem nas provas e encarem isso como benção de Deus, ou que vivam na reprovação e sempre coloquem a culpa no colégio que os persegue.
Somos chamados por Deus para fazer diferente na universidade. Somos convocados a dar reflexões coerentes, consistentes e inteligentes sobre o mundo que nos cerca. Devemos ser estudantes de qualidade e de nível invejáveis. Devemos ser modelos para nossos colegas. Mas para isso acontecer, temos que romper com a cultura do ganho fácil que tanto dano tem trazido para nosso país e para o nosso testemunho cristão.
É inaceitável que um crente seja a pior referência da sala, seja nos estudos, no pensar, ou no caráter. Sua postura na universidade deve e tem que ser exemplar.




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